qualquer uma não
sábado, 10 de maio de 2008
Ela é diferente. O grande problema é o que deixo de ver nela..
Se olho seu rosto, só vejo beleza, olhos, boca, nariz, tudo na mais perfeita simetria. Como pode?
Será que eu estou ficando louco? Nunca consigo entender como o meu coração tem o mesmo rítimo dos seus passos vindo em minha direção. E aquele abraço que esquenta o frio que sinto por dentro.
Quando fala, sempre tem aquelas frases de efeito, quando a elogio fica vermelha, sem graça. Seu sorriso ilumina o dia, os olhos, a alma. Quem dera eu poder guardar aquele sorriso dentro de uma caixinha, pra ele poder iluminar os meus dias tristes, os dias em que o repouso cansa, que a saudade machuca.
Sempre evitei falar de amor, mas tenho pensado nessa possibilidade constantemente. Como pode uma única pessoa estar em tantos lugares ao mesmo tempo ? Cabeça, coração, alma, na minha frente. Ela quebra as leis da física. Mas quando a tenho em meus braços, ela é minha, só minha.
E ela é aquela idéia que não te deixa em paz, e quando estou sem ela, me vem aquela sensação de quando esqueço alguma coisa em casa, falta algo.
Logo eu que já tinha me acostumado a ser sozinho, que não acreditava nessas coisas tão ultrapassadas, pensava que nos tempos modernos amor tinha se tornado algo prático: união para o bem comum, contas divididas, filhos educados, coisas difícieis de se fazer sozinho.
Foi aquele dia. Um dia frio, botei meu casaco e fui andando para o trabalho, distraído, pensava no jogo que ia assistir mais tarde com os amigos. Fui no metrô, de repente, ela chegou, descendo as escadas, para mim se destacava na mutidão, parecia cena de filme. Na minha cabeça, passava em câmera lenta, estava escutando música e parou ao meu lado, nas mãos trazia um livro chamado ' De moto pela América do Sul'. Ela sorriu. E foi ai que tudo começou..
Pele. Cabelos. Mãos. Cheiro. Boca. Quando estamos juntos tudo se mistura. E aquelas palavras que nunca haviam sido pronunciadas por mim antes, ficam tentando o tempo todo escapar da minha boca, elas são teimosas, mas tenho medo da reação dela. E se ela se calar, me ignorar, me deixar? Mas as palavras são sempre mais teimosas, e essa é uma frase que seu significado não cabe em dicionários, e eu falo pra ela o que tanto queria dizer e mesmo correndo o risco de não ser correspondido, me arrisco, me jogo de cabeça e não quero saber da altura do meu tombo, pois ao menos uma vez eu estive lá em cima junto com as estrelas e o céu e aquele era o meu lugar onde eu ficava alto o bastante para poder vigiá-la, protegé-la de qualquer mal. E quando tivesse dúvida eu pegaria sua mão, a levaria sobre minhas asas por essa estrada. E até meus amigos têm achado estranho esse sorriso que não sai do meu rosto e mesmo naqueles dias em que não quero acordar, ficar na cama até meia dia de perna pro ar, mesmo nesses dias, quando lembro do seu rosto é como um estimulante que me faz levantar, me arrumar, ir trabalhar.
E até as cores mudaram, as ruas são mais longas, o tempo mais rápido. Não sei o que acontece. As pessoas mudaram ? O mundo saiu do eixo ? Por que tá tudo de cabeça pra baixo ? Até meu chefe é simpático.
As vezes tenho medo desse sentimento sem nome que de tão grande nem cabe em nós dois. Sei que ela sente aquele frio também, que eu sou o fogo que a aquece, que do meu abraço ela precisa, que do carinho ela faz sua necessidade, que de abrigo ela tem o meu corpo e ela sempre tão doce quando me vê. Quando fica triste ela deita a cabeça sobre o meu ombro, diz que tem medo de me perder, eu digo que é bobagem que eu não seria capaz de deixá-la sozinha, ela me olha nos olhos como se estivesse lendo minha mente, lendo o que eu não tenho coragem dizer.
E quando ela passa, as outras mulheres parecem tão pequenas, são tão bonitas quando ela, não são tão inteligentes, tão suspeitas, tão misteriosas. O que eu vejo estampado do seu rosto, se confirma às coisas que não vejo nela.
É, ela não é qualquer uma.
Postado por
d. @
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